domingo, 16 de setembro de 2018

O  MYNIAN

   Olá a todos! Nesse post vou falar um pouco sobre uma tradição judaica chamada "mynian".
   Um mynian (também grafado de outras formas como "minian" ou "minyan") é um grupo de dez judeus reunidos para certas obrigações religiosas como orações públicas. Geralmente exige-se que sejam homens e que já tenham cumprido o "bar mitzva" (equivalente a "primeira comunhão" dos católicos geralmente os judeus alcançam essa etapa aos 13 ou 15 anos), mas, correntes mais liberais fora do judaísmo ortodoxo concordam que mulheres adultas também podem ser incluídas na mynian. 

   Acontece que a mynian não possui apenas esse caráter "religioso", possui também um caráter "ocultista". Uma dessas facetas ocultistas da mynian é relacionada ao exorcismo. No meu livro "Análise Sobre Mitos e o Oculto" (link á direita do blog) especificamente na parte sobre demonologia eu falei um pouco sobre como é o ritual de exorcismo judaico. O exorcismo judaico tradicional é realizado através da mynian liderada por um rabino mais experiente. O grupo se reúne em torno da vítima possuída, um deles sopra o shofar (sobre o shofar recomendo darem uma olhada no post desse mesmo blog intitulado "O SHOFAR") e depois eles entoam o salmo 91, muito requisitado nas orações tradicionais judaicas de um modo geral. Depois se pergunta ao "espírito" porque ele possuiu a vítima. Pode-se considerar o "espírito" como sendo um (ou mais) demônio(s) ou como sendo um dibbuk (o equivalente a "espírito vagante" na tradição judaica. Talvez tema de um futuro post). 
   Outra conotação ocultista da minyan é relacionada ao ritual conhecido como "pulsa d'nura" (também grafado como "pulsa d'nora" ou "pulsa dinura"). "Pulsa d'nura" significa em aramaico "chicotes de fogo". Esse ritual é antiquíssimo e considerado como "último recurso" na tradição judaica. Os judeus costumam recorrer a esse ritual para exortar os "anjos destruidores" a destruírem alguém que ameaça a nação judaica de um modo geral ou seus interesses. Um caso relativamente recente que foi divulgado na mídia relacionado a isso aconteceu em 2004 quando os rabinos da Ucrânia reuniram a mynian em um cemitério na noite de lua cheia para exortar os "anjos destruidores" a eliminarem o oligarca Judeu Ígor Kolomoiski que patrocinava batalhões da Guarda Nacional ucraniana. É sabido que tal recurso teria sido usado contra o ex-primeiro ministro Isaak Rabin em 1995 que morreu baleado, em 2005 contra Ariel Sharon que sofreu um AVC mas não morreu e Ehud Olmert sucessor de Sharon que foi diagnosticado com câncer de próstata. É sabido que tal ritual teria sido usado contra o papa João Paulo II em 2000 por ele ter declarado apoio a causa dos palestinos. O certo é que há grandes riscos envolvidos nesse ritual, ele só funciona teoricamente se a vítima merecer morrer, senão, toda carga do ritual volta contra os que o praticaram, em linguagem ocultista isso é chamado "choque de retorno" que o ditado popular mais conhecido vulgarizou dizendo "o feitiço se voltou contra o feiticeiro". Mais precisamente sobre os "anjos destruidores" a tradição reconhece como sendo os anjos encarregados por Deus de punir aqueles que merecem, a tradição judaica diz que foram esses anjos que puniram os hebreus que se revoltaram contra Moisés no deserto e também há menção a esse tipo de anjo no Primeiro Livro de Crônicas. 
   A terceira conotação do uso ocultista da mynian que eu queria mencionar é relacionada a wicca vulgarmente chamada "magia da nova era". Na wicca é comum os adeptos (geralmente reunidos em "covens") se reunirem para se concentrarem em determinados objetivos. Esse princípio de se reunir para se focar em um objetivo muito provavelmente foi inspirado na minyan judaica. Naturalmente vários indivíduos reunidos e focados em certo objetivo podem gerar um potencial maior do que um só, afinal eles geram uma "egrégora" maior e mais forte. Essas são algumas conotações ocultistas da mynian.   

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